Como gerar RG e CNH fictícios para testes
Quem trabalha com desenvolvimento de sistemas, QA ou homologação de formulários sabe bem o problema: você precisa de dados de documento para testar, mas não pode sair por aí usando RG ou CNH de pessoas reais. Parece um detalhe menor, mas não é. Usar dados reais em ambientes de teste é uma falha grave de segurança e privacidade, e pode causar dor de cabeça séria dependendo do contexto.
A saída mais sensata é gerar dados fictícios que sigam as mesmas regras de formatação dos documentos originais. É exatamente pra isso que existem ferramentas como o Gerador de RG e o Gerador de CNH do Geratudo.
O que significa "válido" quando falamos de dados fictícios
Esse é um ponto que confunde muita gente. Um RG ou CNH "válido para testes" não significa que existe de verdade no sistema da Secretaria de Segurança Pública ou do Detran. Significa que o dado respeita as regras de formato, máscara e, quando aplicável, dígito verificador do documento.
Pensa assim: se o seu formulário rejeita um RG que começa com letra ou tem menos de 8 dígitos, você precisa de um dado que passe nessa validação para testar o caminho feliz. Você não quer testar com lixo — quer testar com algo que o sistema entenda como um documento plausível.
Isso é especialmente importante quando o campo tem validação de formato no frontend ou no backend. Um dado malformado vai falhar na validação antes mesmo de chegar onde você quer testar. Daí a utilidade de geradores que produzem dados formatados corretamente.
RG: mais complicado do que parece
O RG no Brasil é um caso interessante porque não tem um padrão federal único. Cada estado emite pelo seu próprio instituto de identificação, com regras de formato diferentes. São Paulo usa um padrão, o Rio de Janeiro usa outro, e por aí vai. Alguns estados têm dígito verificador, outros não. Alguns usam letras, outros só números.
Isso significa que testar um campo de RG é mais trabalhoso do que parece. Se o seu sistema atende usuários de vários estados, você precisa de exemplos de formatos diferentes para garantir que a validação não está rejeitando documentos legítimos de estados com formatos menos comuns.
O Gerador de RG resolve isso gerando números com o formato padrão mais comum, o que já cobre a grande maioria dos casos de uso em teste. Para cenários mais específicos por estado, você ainda vai precisar adaptar manualmente — e convenhamos, isso é trabalho que raramente aparece documentado em tutorial nenhum.
Um detalhe prático importante: nunca use o mesmo número gerado repetidas vezes em diferentes sessões de teste em produção. Mesmo sendo fictício, se esse número aparecer em logs reais, pode gerar confusão futura. Gere um novo para cada ciclo de teste.
CNH tem suas próprias particularidades
A Carteira Nacional de Habilitação tem um dígito verificador calculado, similar ao CPF. Isso significa que não adianta inventar um número aleatório de 11 dígitos — ele precisa passar pelo algoritmo de validação pra ser aceito em campos que fazem essa checagem.
O Gerador de CNH já cuida disso automaticamente, gerando números que passam nessa validação matemática. Na prática, isso elimina um problema comum em testes: o dev gera um número na cabeça, o sistema rejeita na validação do campo, e todo mundo fica olhando pra tela sem entender o que está errado.
Além do número em si, a CNH tem outros campos que aparecem em formulários mais completos: categoria (A, B, AB, C, D, E), data de validade, data de habilitação. Quando o teste exige um registro mais completo, o Gerador de Pessoa pode ser mais útil, porque já entrega um conjunto coeso de dados fictícios — nome, CPF, endereço, e outros campos — em vez de você montar tudo manualmente peça por peça.
Quando usar gerador de documento vs. fixture manual
Essa é uma decisão que vale pensar. Em times de desenvolvimento mais maduros, os dados de teste costumam ficar em arquivos de fixture — JSON, SQL seed, ou similar — e são versionados junto com o código. Isso garante consistência entre ambientes e entre pessoas do time.
O problema com fixtures manuais é que alguém precisou criar esses dados uma vez. E se essa pessoa inventou um CPF ou RG qualquer sem usar gerador, existe uma chance real de o dado estar malformado ou de colidir com alguma validação futura.
Usar geradores confiáveis na hora de criar essas fixtures é uma prática simples que evita dores de cabeça. Você gera uma vez, joga no arquivo de seed, e pronto. O Gerador de CPF e o Gerador de CNPJ funcionam da mesma forma e são úteis exatamente nesse contexto.
Para testes mais exploratórios — QA manual, demonstrações, treinamentos — aí sim faz sentido gerar na hora, sem se preocupar em versionar.
Outros dados que costumam aparecer junto
Raras são as vezes em que você precisa só do RG ou da CNH isoladamente. Formulários de cadastro costumam pedir nome, CPF, data de nascimento, endereço, telefone. Montar esse conjunto manualmente toda vez é tedioso e propenso a inconsistências — você bota uma data de nascimento que não combina com a idade que escreveu no campo anterior, por exemplo.
Algumas ferramentas que ajudam a completar esse cenário:
- Gerador de Pessoa: gera um perfil completo com dados coerentes entre si
- Gerador de CEP: para preencher campos de endereço
- Gerador de Celular e Gerador de Telefone: para campos de contato
- Validar CPF e Validar CNH: para confirmar que os dados gerados passam nas validações antes de usar
Esse fluxo — gerar, validar, usar — é o mínimo razoável para garantir que seus dados de teste não vão quebrar o cenário por motivos bobos.
Um aviso sobre uso responsável
Francamente, é importante deixar isso claro: dados fictícios de documentos existem para testes, desenvolvimento e demonstração. Usar esses dados em contextos onde se passa por um documento real é outra história completamente diferente — e não é disso que estamos falando aqui.
O objetivo de um gerador como esse é permitir que sistemas sejam testados com segurança, sem expor dados de pessoas reais. Isso é bom para privacidade, bom para compliance, e bom para a qualidade do software.
Perguntas Frequentes
O RG gerado vai passar em todos os sistemas de validação?
Depende da validação. O RG gerado segue o formato padrão mais comum, o que faz com que passe em validações de máscara e formato. Sistemas que consultam bases reais de documentos — como alguns portais governamentais — vão rejeitar qualquer número fictício, porque ele simplesmente não existe no cadastro. Para testes em ambientes internos e formulários comuns, o dado gerado funciona bem.
A CNH gerada tem dígito verificador correto?
Sim. O Gerador de CNH calcula o dígito verificador automaticamente, então o número gerado passa em validações matemáticas. Isso é diferente de simplesmente inventar 11 dígitos aleatórios, que na maioria das vezes vai falhar nesse tipo de checagem.
Posso usar esses dados em ambiente de produção para cadastro real?
Não. Esses dados são fictícios e não correspondem a documentos reais. Usar em produção para representar um usuário real seria incorreto e potencialmente problemático do ponto de vista legal e de compliance. O uso adequado é exclusivamente em testes, desenvolvimento, homologação, demonstrações e treinamentos de sistemas.